Saúde

Autismo

No mês em que comemoramos o dia mundial de conscientização do Autismo, eu como mãe de duas crianças dentro do espectro, tenho a obrigação de compartilhar informações sobre o assunto. Quando recebemos o diagnóstico em 2015, não sabíamos nada sobre autismo e a falta de informação atrasou o diagnóstico do nosso filho. Até então, eu acreditava que era uma péssima mãe e que estava fazendo tudo errado porque nenhuma criança que conhecia era como o meu filho.

O que é o Autismo?

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do desenvolvimento neurológico, caracterizado por uma alteração da comunicação social e pela presença de comportamentos repetitivos e estereotipados.

Atualmente, estima-se que 70 milhões de pessoas no mundo todo possuem algum tipo de autismo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Com relação ao Brasil, esse número passa de 2 milhões. Uma pesquisa atual realizada em 2017 do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) diz que o autismo atinge ambos os sexos e todas as etnias, porém o número de ocorrências é maior entre o sexo masculino.

Diagnóstico

Não há um exame específico que indique o transtorno – a avaliação deve ser clínica e feita por uma equipe multidisciplinar formada por psicólogo, terapeuta ocupacional e fonoaudiólogo. É comum, que os sintomas sejam confundidos com surdez (já que a criança não responde aos estímulos), deficiência intelectual e problemas de linguagem. Por isso, mediante qualquer desconfiança sobre o desenvolvimento do seu filho, procure um neuropediatra. Quanto mais precoce começar as intervenções, melhor o prognóstico.

Causa

Por mais que as causas do Autismo não sejam conhecidas, os cientistas sugerem que alguns fatores desempenham papéis importantes no desenvolvimento do transtorno. Eles são:

  • Gênero: Crianças do sexo masculino são mais propensos a terem Autismo. Estima-se que para cada 8 meninos autistas, 1 menina também é;
  • Genética: Cerca de 20% das crianças que possuem Autismo também possuem outras condições genéticas, como Síndrome de Down, Síndrome do X frágil, esclerose tuberosa, entre outras;
  • Pais mais velhos: A ciência diz que, quanto mais velho alguém ter um filho, mais riscos as crianças tem de desenvolver algum tipo de problema e com o Autismo não é diferente;
  • Parentes autistas: Caso a família já possua histórico de Autismo, as chances de alguém também possuir são maiores.

É importante salientar que o autismo não está ligado a vacinas. A ideia dessa relação surgiu em 1998 quando um estudo sugeriu que a vacina que combate o Sarampo, a Caxumba e a Rubéola (a MMR) pode provocar autismo. Desde então, inúmeras pesquisas foram realizadas e cada uma delas constatou que não há relação entre uma coisa e outra.

Tratamento

Mesmo com todas as pesquisas referentes ao autismo em andamento, ainda não há um medicamento específico para o seu tratamento, bem como uma cura. Porém, há diversas maneiras para se tratar as funções cognitivas e funcionais da criança desde o momento em que foi diagnosticada. Para isso, uma equipe multidisciplinar é importante, pois cada especialista irá trabalhar em um certo tipo de desenvolvimento.

O acompanhamento da criança com um fonoaudiólogo é essencial, pois isso irá ajudá-la a desenvolver a linguagem não-verbal. A estimulação pode ser feita através de jogos e brincadeiras, contação de histórias e conversas. Terapia ocupacional e comportamental também são relevantes na hora do tratamento, pois assim o cérebro do paciente passa a perceber os estímulos sensoriais. Não há uma regra específica de tratamento, pois cada criança possui as suas particularidades. Portanto, a equipe multidisciplinar decidirá qual o tipo de tratamento que deve ser abordado.

autismo crianca

Principais características

  • Dificuldade de lidar com mudanças de rotina;
  • Sensibilidade a barulho, claridade, ao toque, conversas, músicas, tecidos, cheiros, entre outros;
  • Anda na ponta dos pés;
  • Muito apego aos brinquedos ou coleções;
  • Resistente a atividades como cortar cabelos, lava-los, cortar unhas, escovar os dentes, usar pomadas, tomar remédios, entre muitos outros;
  • Seletividade alimentar;
  • Insensibilidade a dor;
  • Ausência de medo ou medo exagerado de coisas que não deveriam dar medo como borboletas;
  • Descontrole motor, necessidade de fazer alguns movimentos e gestos, além de sons;
  • Dificuldade de concentração;
  • Dificuldade de realizar atividades sozinho, como se vestir, ir ao banheiro, tomar banho, entre outros;
  • Possui rituais para comer, dormir, trabalhar, brincar, se locomover, etc;
  • Prefere brincar sozinho;
  • Repete frases de desenhos ou filmes que assiste;
  • Não se comunica como os outros, pode ser ou não verbal;
  • Não estabelece contato visual, não se interessa por pessoas ou coisas de interesse geral;
  • Facilidade para aprender outros idiomas ou um ofício do seu interesse;
  • A maioria das pessoas com autismo é boa em aprender visualmente;
  • Algumas pessoas com autismo são muito atentas aos detalhes e à exatidão;
  • Geralmente possuem capacidade de memória muito acima da média;
  • Indivíduos com Autismo são funcionários leais e de confiança.

 

Onde buscar apoio

  • Procure outras famílias que também tenham filhos com Autismo;
  • Acompanhamento psicológico para superar o luto na fase inicial;
  • Autismo & Realidade;
  • Lagarta vira pupa;
  • Grupos de apoio a familiares e crianças Autistas.

 

Filmes sobre Autismo

Adam

Temple Grandin

 

 

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